Gaiman

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"Eu sou péssimo em crenças, mas sou bom em crer em alguma coisa quando necessário", ele disse. "O que, no meu caso, tende a ser quando estou escrevendo sobre essa coisa." Se não fosse um escritor, diz, gostaria de projetar religiões. "Eu teria uma lojinha, as pessoas me ligariam ou viriam até ela e diriam 'gostaria de um religião'", ele explica. "E eu diria: 'Legal, ok. Qual é sua posição quanto a culpa, e como você vai financiá-la? E você gostaria de ver o universo como uma espécie de grande órgão beneficente? Ou gostaria de algo mais complexo?' E elas diriam: 'Ah, gostaríamos de um Deus bem ligado em culpa'. E eu: 'Ok, que tal quarta-feira como dia sagrado?'"

Sinal de que o perfil é bem feito é quando o Alan Moore é só um entrevistado acessório. O perfil do Neil Gaiman na New Yorker, nesse sentido, é perfeito. Conta toda a carreira do autor, tem um distanciamento crítico que não cai no cinismo e ainda entra em assuntos que o Gaiman sempre tenta evitar, como o divórcio (sua esposa mora no mesmo terreno que ele) e o fato de ter crescido numa família cientologista (o quote acima vem depois dessa revelação; Gaiman é um judeu-cientologista não-praticante).

Tem até momento em que Gaiman, o mais cortês dos ingleses, vira a cara para um fã (em relação direta com o esquema da Cientologia). Isso sim é uma grande revelação.

Departamento de Aquisições

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Inclui minha supermegacompra "black friday", onde completei minhas coleções de Invisibles e Swamp Thing. Por alguma bobeira, não peguei todas de Doom Patrol, Scalped e Y: The Last Man, então fiz mais uma black friday de janeiro. Fechando essas, agora é praticamente só comprar o que sai de novo.

Comendo Bichos / Bichos que Comem

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Gostei e não gostei de Eating Animals. Não gostei do que o Jonathan Safran Foer tentou me convencer, não gostei dos recursos de argumentação emocionais que ele usa para tentar convencer e não gostei principalmente de ter que esperar quatro anos por um livro dele e receber uma não-ficção aventurosa defensora dos bichinhos. (Gostei de uma coisa, que deixo para o final.) Mas não gostei, imagino, porque não sou público-alvo.

Em primeiro lugar, porque já sou vegetariano. Não como nenhum tipo de carne há quase 16 anos. Só não sou vegan porque não existe estrutura de serviços para vegans onde moro. Foi uma decisão de adolescente, talvez para encontrar identidade, mas que se baseia no simples fato de eu acreditar que carne não é necessária (e existe base científica para isso).

Foer diz algumas vezes que não quer convencer o leitor a virar vegetariano (ou vegan). Mas dá a entender que comer carne sustenta um círculo vicioso de crueldade com animais, experimentação genética de resultados imprevisíveis, epidemias de zoonoses (como a gripe aviária ou a gripe suína). E que, se a carne para alimentação do mundo fosse produzida da maneira correta, não haveria comida para todo mundo. Ou, no mínimo, seria muito cara - o ritmo de produção cruel das factory farms, de galinhas esmagados, perus sem estrutura óssea para caminhar e vacas esfoladas, é o que fez a carne ser uma das poucas coisas que baixou de preço nas últimas décadas.

Em segundo lugar, Eating Animals é dirigido aos norte-americanos, falando das fazendas de lá, dos hábitos de consumo de lá e da estrutura capitalista de excessos de lá. Não tenho ideia se os açougues brasileiros vendem carne produzida de forma melhor ou pior. Nem como é o resto do mundo (sei, bem por alto, que carne vermelha é bem cara na Inglaterra). Foer vê consequências planetárias na forma de produção e consumo de carne nos EUA, o que é compreensível. É o mesmo caso do aquecimento global: os excessos no uso de recursos não-renováveis são abismantes no primeiro mundo, se comparados ao que a maior parte do planeta consome – mas afetam o planeta inteiro.

O que me incomoda mesmo é a argumentação em cima do sofrimento dos animais. Foer descreve aquelas cenas de documentários do PETA, sangrentos, que circulam a internet, acontencedo diariamente nos grandes abatedouros dos EUA. De novo, não sou público-alvo: isso não me sensibiliza e não muda minha maneira de pensar. O texto enumera todos os argumentos e dados científicos para dizer que bichos sentem dor quase ou exatamente como seres humanos. Mas faltou um pouco mais para me convencer a virar defensor da causa.

Do que eu gostei: o argumento mais positivo e bem empregado que vejo no livro é um que ele já usa desde o início - a preocupação com o que você vai dar para seus filhos comerem. Do ponto de vista moral, lógico e evolutivo, é incontestável, não há pergunta mais séria que se possa fazer. E nisso Foer defende e educação vegan que está dando ao filho, com base em comprovação científica de que crianças (e até atletas) podem viver de dietas vegan.

A Natalie Portman pode ter virado ativista vegan depois de ler. Eu ainda tenho minhas dúvidas. Existe um círculo vicioso em torno da produção e consumo de carne, sim, mas ainda não tenho argumento forte para tentar convencer meus amigos a parar de comer bichos mortos.

P.S.: Só no fim do livro fui notar que o título tem duplo sentido.

2009 (2)

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Meu ano e o da Marcela começou na Plaça de Catalunya, com espumante em copos plásticos porque a polícia cercou todas as entradas e ninguém podia passar com garrafas (isso é a Europa). Chegou a meia noite, as pessoas fizeram barulhos felizes, mandamos SMS para nossas famílias dizendo que tínhamos chegado em 2009 antes e ninguém soltou fogos. Todos os ninguéns foram para casa e a gente voltou ao hotel para subir os quatro lances de escadas com degraus estreitos (isso é a Europa).

Um dia a gente resolveu que nunca ia conseguir comprar apartamento com os preços chapecolinos, vimos um legal para alugar e, na noite antes do caminhão de mudança, começamos a encaixotar as coisas, porque não sobrou tempo durante a semana (já chego na parte “tempo”). O ap novo é no centro do centro da cidade, fica a 3 quadras do trabalho da Marcela, eu só pego o carro para ir ao trabalho (que ainda é longe), e ganhei um escritório só para mim. O resto da casa é dela. Fiz a estante dos sonhos, com os autores em ordem alfabética.

De novo, comprei mais livros do que consegui ler. BEM mais. ABSURDAMENTE mais. Ainda lembro da época em que eu relia os gibis dez vezes (simplesmente porque não havia outros para comprar). Várias vezes durante o ano tentei cumprir um regime de leitura – começo três livros ao mesmo tempo, um capítulo de cada por dia -, mas sempre aparecia algo para atrapalhar. A quantidade de trabalho cresceu na mesma escala do departamento de aquisições. O lado bom é que teve muito trabalho legal.

Cheguei para a atendente de sempre na Livraria Cultura de Porto Alegre e brinquei que ela devia procurar meu nome no catálogo. “Escreveu um livro, Érico?”. “Ahm... não, ainda não.”. Mas está lá – como tradutor. Em duas graphic novels muito boas (que, felizmente, estão vendendo e sendo comentadas muito bem) e em dois livros para crianças. Milhões de agradecimentos ao André, meu editor na Companhia das Letras, que me entregou os trabalhos após anos de encheção de saco e ainda cobre toda e qualquer imperfeição que eu deixe nos textos. Graças a ele, se eu for mau tradutor, ninguém vai descobrir. Mas só vou chamar isso de carreira quando recusar um trabalho.

Fiz orientação de carreira. Mais para organizar meus horários. Dicas valiosas, que ainda não consegui colocar totalmente em prática. Tive algumas crises existenciais relacionadas a trabalho, porque de um lado (tudo que faço em casa) eu gosto muito do que faço e recebo massagens no ego constantes (descoberta massagística do ano: o Twitter) e do outro (tudo que tenho que sair de casa para fazer) gosto cada vez menos mas tenho o salário indispensável. Aliás, de tanto ficar em casa estou meio agorafóbico. Ou meio Larry David, não sei.

(Twitter: você pergunta uma coisa para o Neil Gaiman e ele te responde. Duas vezes.)

Mesmo tendo conhecido (rapidamente) o Primeiro Mundo e entendido, por oposição, o que é “jeitinho”, ando meio descrente na humanidade. Já mencionei no post abaixo o livro de terror, que ainda me dá calafrios. Tive uns probleminhas com amigos no final do ano que elevaram essa descrença, fora outras leituras, documentários, conversas etc. Estou fora de sincronia com todo mundo, mais do que já era, preocupado por finalmente entender o que quer dizer “sociedade inimiga de si mesmo“. Estado de preocupação atual: o problema do mundo é ter gente.

Vou assumir um emprego que encaro como teste definitivo da possibilidade de viver em sociedade. Medo de chegar à insanidade antes de completar seis meses. Não, três. Este ano foram nove disciplinas de novo. Em pelo menos três me senti inútil. O ambiente não tem ajudado em nada. Mas assim mesmo, por pressão, vou pra esse cargo aqui. É o teste.

Mais gordo do que nunca, acho. Do tamanho do David Brent, por aí.

Voltei a fazer francês. Fui na Shakespeare & Co. e deixei um livro, ao invés de comprar um (tá, também comprei um). Fui no Festival Internacional de Quadrinhos e descobri mais gente que sabe o que é o Omelete do que eu imaginava que existia (algumas inclusive gostam, e sabem me diferenciar do Érico Borgo). Publiquei um texto num gibi, publiquei um texto ficcional, publiquei um texto numa revista e escrevi um texto bem longo, revisado dezessete vezes após terminar, para outra revista sobre o qual estou me segurando para não contar para todo mundo (e que a tal revista talvez tire da geladeira em breve).

Queria ter ficado em Amsterdam. Podia ter ficado em Paris. Londres eu queria visitar mais vezes. Bruxelas é sensacional, Munique mais. Mas Amsterdam – não fumo nem cheiro nada, não é isso – tinha alguma coisa dizendo “more aqui”. Tem também os vários sinais que me apontam para a Islândia (um teste online que me mandou morar lá, notícias do país que caem na minha frente, traduzir gibis que se passam lá, a paixão pelo Sigur Rós), que ainda não conheci. O objetivo, porém, é passar o fim de 2010 em outro lugar, que não vou contar aqui para não parecer promessa.

Resumindo: olá, crise dos trinta.

2009 (1)

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Aquela cena do Deixe Ela Entrar que justifica o nome do filme, quando a menina entra na casa do menino sem permissão. E o filme inteiro. Tem alguma coisa na história que faz eu acreditar que existe muito mais na natureza humana do que eu compreendo, e do que talvez algum dia vá compreender. E está lá, inatingível, mas existe.

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A (que já comentei na minha resenha) do Away We Go: do clube noturno em Montreal. "Oh Sweet Nuthin'", Velvet Underground. "THIS Thursday?". Fico imaginando se aquele diálogo - "You just watch these babies grow and then fade" - não assusta toda a minha geração. Pelo menos em mim meteu medo.

(No roteiro original, Eggers e Vida sugerem que a música seja "Don't Worry Baby", do Beach Boys. Acho que "Oh Sweeth Nuthin'" ficou melhor.)

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A junkie no Breaking Bad soltando a geladeira na cabeça do marido. Os olhos do menino no mesmo episódio, "Peekaboo". Os flashforwards de toda a segunda temporada - que, infelizmente, levaram a um fim não tão bombástico, mas apropriado considerando os caminhos da história. Baita série.

* * *

Ler A Cabeça do Brasileiro, me dar conta de que é assim e não vai mudar. Maior livro de terror já escrito. Descrença na humanidade em nível quase insuportável.

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Ron fucking Swanson, no Parks and Recreation.

Sobre a ex-mulher: "I honestly believe that she was programmed by someone in the future to come back and destroy all happiness".

Sobre relações com empregados: “I would prefer that she ask me for my permission so I could say no. I like saying no. It lowers their enthusiasm.”

Sobre a ex-mulher, de novo: "Every time she laughs, an angel dies."

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Esta página do What Is the What:

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As três últimas páginas de Alan's War: The Memories of G.I. Alan Cope. Não sei quantos minutos fiquei olhando para a última, relendo a frase, nem quantos dias depois ela continuou na minha cabeça. Está até hoje, aliás.

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Pinocchio, do Winshluss, e a vontade de passar horas examinando os detalhes de cada página. E a forma como a história vai e volta e vai. Logo no início, a cena em que o velho chuta o cachorro - toda a tristeza do mundo em dois ou três quadrinhos.

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Up, os primeiros quinze minutos (eu chorei). O trailer de Onde Vivem os Monstros. Toda a sequência final do Bastardos Inglórios. "The Great Skua", do British Sea Power. O álbum inteiro de Jonsi & Alex. The Hives abrindo o show em Porto Alegre com "Hey Little World", e todas as vezes que reouvi a música. Freddie Mercury Prateado e Amaury Dumbo. Three Shadows, do Cyril Pedrosa. O Joaquin Phoenix, no final do Two Lovers, sentindo o peso do mundo mas voltando para casa para aceitar o mundo como é. O choro - seja sincero ou não, mas pareceu tão sincero quanto dolorido - do amigo do trapezista, no Man on Wire.

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E, pra terminar, quase esqueci de você:

Departamento de Aquisições

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A maioria é de coisas que as editoras mandam, já que no mês passado a Amazon me deixou na mão.

Ames

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Você tem seu próprio processo para escrever? Não, é o processo para escrever normal. Medo, mais café, mais prazos.

Como era seu processo antes de ter prazos?
Medo, mais café. E dormir. Deitar-se após qualquer mínimo esforço.

Jonathan Ames entrevistado no 99%, site sensacional que a Marcela achou pra mim.

Aliás, estou reassistindo Bored to Death, do Ames, desde o começo. Agora entendi a lógica: no geral, não há nada de empolgante, mas se você entender que o clima é ficar pulando de frase genial para frase genial, como pedrinhas no lago, o seriado é perfeito.

Esquerda x Direita

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Quando achei isso aqui no Boing Boing, descobri que era tudo que eu precisava para minhas aulas no Jornalismo sobre esquerda e direita. Como não tenho tempo nem idade para brigar com o Photoshop, fui atrás de alguém disposto a inserir minha tradução no gráfico. O Fabio Zelenski se ofereceu no Twitter e pronto, temos uma tradução colaborativa:

(Clique para ampliar)


O trabalho original é de David McCandless e Stefanie Posavec.

A tradução foi só para fins educacionais, ok? Os autores me autorizaram por e-mail.

Espártaco

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Saiu outra tradução minha. Dessa vez, não é quadrinhos, e sim um livro para crianças sobre Espártaco, o gladiador.

Chama-se Espártaco e Seus Gloriosos Gladiadores.

É fino humor inglês, mesmo que para crianças.

Agradecimentos ao Marcelo Andreani de Almeida, que colaborou comigo na tradução.

O livro custa R$ 29,90, mas aqui tem por R$ 23,31.

Pânico!

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O desrespeito "moleque" do "Pânico" é um traço comum aos humorísticos. Não dá para pensar em um formato como esse que seja edificante, pois zomba de tudo e de todos. Ao fazerem uso do escracho, do jeito zombeteiro e sem cerimônias, mostram a baixaria, o ridículo que há nos outros.

Eugênio Bucci, na Folha.

Pânico na TV é a única coisa que ainda assisto com hora marcada. Freddy Mercury Prateado é meu senhor e nada me faltará.

Departamento de Aquisições

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Departamento de Aquisições

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Publique-se

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Saiu um texto meu na MyPix. É uma seção que eles chamam de "Rodízio de Ideias". O último a escrever na seção convida o próximo autor. A Gisele (antes da fama, ela foi minha colega no segundo grau) me convidou e é óbvio que eu topei.

O texto já está lá há alguns dias, então tomo a liberdade de publicar aqui a versão original, maior, que teve que ser cortada para caber na revista.



PUBLIQUE-SE.

Acho incrível que, em tempos de web 2.0 (ou 3.0, ou 4.0, 17.62, não interessa), ainda existe gente enrolando para mostrar aquilo que cria. Conheço gente demais que escreve muito bem, que desenha muito bem, que fotografa maravilhosamente, que pinta, que compõe, que filosofa, que borda, enfim, que cria coisas fantásticas – e que não mostra isso para o mundo.

Abrir uma conta no Flickr E no DeviantArt E no YouTube vai lhe tomar cinco minutos. Criar um blog leva uns 100 toques no teclado – menos que uma twittada. Aliás, twittar o link do que você publicou toma o tempo de um controlcê-controlvê. E pronto. Você vira uma pessoa-mídia com uma audiência do tamanho da qualidade do que fez.

Essa é a grande maravilha da Internet: todo mundo tem acesso a tudo, mas você só alcança todo mundo (ou um nicho interessante) se tiver algo legal para mostrar. E essa regra vale tanto para o supermegaconglomeradoglobal de comunicação quanto para você e seu Lentium. Quem tiver a Ideia vai atrair o Público.

Boa notícia: ferramentas de publicação são cada vez mais fáceis. É o fundamento, aliás, da tal web 2.0. Só faltam as Ideias. Se você é um ser humano, tem pelo menos uma boa Ideia por ano. Escreva-a, fotografe-a, pinte-a, grave-a etc. E blogue-a.

Falta tempo? Por que você está sempre trabalhando e tem que pagar as contas e as prestações e oh o mundo capitalista é cruel? Primeiro: trabalhar para os outros sem viver para você, por melhor que seja o salário, não compensa. Segundo: pense a longo prazo – seja lido/ouvido/visto agora para criar e manter contatos para o futuro. Terceiro: nesse momento, seu chefe e/ou seu cliente estão acessando o site do cara que vai ser contratado no seu lugar.

Preguiça? Oras, vá dar um exercício pros dedos gordos. Dói menos que abdominal.

Excesso de autocrítica? Se você escreveu uma poesia, tirou uma foto, fez uma ilustração etc. e só quer esconder na gaveta, sua autocrítica é garantia de que vale a pena mostrar. Gente demais joga qualquer coisa na Internet sem qualquer julgamento. Se você tem um pingo disso, já é dos bons.

No fim das contas, há duas vantagens: a pessoal, que é de você dizer “fui eu que fiz” e vez por outra receber massagens no ego; e a social, que é de você colaborar com suas Ideias para impulsionar outras Ideias que tornem o mundo mais legal.

Já tive vários dias que mudaram de rumo por causa de um texto, de um vídeo, de um desenho. Já aconteceu com você também. Mexer com a cabeça de uma pessoa é tão importante quanto aqueles livros e filosofias que mudam o mundo – todos começaram por uma cabeça. Que seja pelas suas Ideias – desde que publicadas.

Bell

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"Eu não gosto de sair para lugar nenhum. Eu queria encontrar um lugar bonito e ficar lá. Se eu quiser ir a algum lugar, uso minha imaginação ou a internet."Gabrielle Bell agora tem um blog.

Stewart

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MAUREEN DOWD: Um programa de notícias fake, o "Daily Show", gerou um comentarista fake, Colbert, que inventa sua própria realidade fake defendendo a realidade fake de um presidente real, e recebe representantes do governo que sabem da piada mas ainda topam ser ridicularizadas por alguém fake. Seus programas são como espelhos dentro de espelhos, um ciclo fake para alcançar verdade. Vocês tocam uma questão social, a de que nada mais, dos reality shows ao Bushworld, é real. Vocês nunca ficam confusos com essa sala de espelhos?

JOHN STEWART: Não me avisaram que a gente teria que estar chapado para essa entrevista.

Daqui.

Departamento de Aquisições

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Peguei uma promoção do Asterix no Submarino (ainda está lá) e comecei uma coleção. Asterix é uma coisa para a qual nunca dei muita atenção, mas tenho que deixar meus preconceitos de lado.

Fora isso, tem umas coisinhas enviadas por assessoria e comprinhas normais do mês. Aguardando o Absolute V for Vendetta...

Tudo a ver

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Vida S.A.

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Dois livros que você não deve ler se acredita na frase "ignorância é uma bênção": A Cabeça do Brasileiro, do Alberto Carlos Almeida, e Life Inc., do Douglas Rushkoff. Sério, mantenha-se à distância.

Para mim, foram - e estão sendo, mesmo após acabar de ler - epifanias. Sabe quando alguém repete algum dado ou alguma história para você pela enésima vez, mas de repente vem de um jeito que te puxa pelos cabelos até te levantar do chão? Eu nasci e sempre vivi no Brasil que o Almeida pesquisou, e faz dez anos que estou lendo Naomi Kleins, Adbusters e Debords da vida explicando o Sistema - gente que o Rushkoff retoma no livro. Mas eles deram algum jeito de revoltar meu estômago com o jeito como falaram desses problemas.

A Cabeça do Brasileiro: 53% dos brasileiros com ensino superior concorda com a frase "Cada um deve cuidar somente do que é seu, e o governo cuida do que é público". 47% dos mesmos concordam com "Deus decide o destino, mas as pessoas podem mudá-lo um pouco". 60% confia mais na família do que nos amigos. 74% são contra homossexualismo feminino.

Isso para ficar só na parcela com ensino superior, 12% segundo o livro. A situação piora quanto mais diminui a escolaridade.

Ok, se você não morou em Marte (ou na Suíça) nos últimos 500 anos, percebe isso em qualquer conversa, no instante em que sair para a rua. Não é uma pesquisa quantitativa que vai te explicar o Brasil. Mas eu acho que gostava de viver na ilusão de que as pessoas na minha volta - eu tenho mestrado, meus amigos têm mestrado e doutorado, todo meu trabalho é intelectual (e a maior parte em casa), compro gibi na Amazon, rio da ironia do John Stewart e reclamo da vida em um blog; impossível negar que sou elite e vivo entre uma elite - seriam um pouco menos conservadoras e menos neoliberais.

Ouvir que 3 entre cada 4 pessoas dessa elite acham uma mulher gostar de uma mulher um descalabro é uma epifania (devem ser as mesmas pessoas que acham que Brüno é um filme que "exagerou").

Por que isso tudo me interessa? Porque todos os meus trabalhos só funcionam se eu mentalizar essa gente como público. Os alunos para quem eu preparo minhas aulas pensam assim. Os leitores para quem eu escrevo notícias, colunas, blogs e etc. pensam assim. Se algum dia eu voltar a fazer redação publicitária diariamente, as pessoas para quem eu escrever serão as que pensam assim (ou pior). Claro, talvez seja possível mudar umas cabeças com o que eu faço. Mas se as próprias pessoas à minha volta não fazem a mesma coisa, não consigo imaginar uma transformação verdadeira.

O argumento do livro do Rushkoff é mais global. Surgiu, diz o autor, quando ele foi assaltado na porta de casa, na noite de natal. Ao avisar os vizinhos do caso num fórum de discussão - tentando alertar o pessoal para um ladrão rondando a vizinhança -, ele foi... incensado. "Se você reportar isso à polícia, meu imóvel vai desvalorizar", disseram vários vizinhos.

É um exemplo quase alegórico do pensamento neoliberal - que não é só um conjunto de políticas econômicas, mas a forma como a gente vive hoje. Rushkoff vai descascando a cebola ao longo do livro, partindo destes exemplos contemporâneos nas relações de convívio e trabalho; passa o nível do discurso "corporações são só máquinas de fazer dinheiro"; passa o nível dos governos fragilizados; passa o nível da origem do capitalismo na insurreição burguesa e chega ao grande e central problema: o sistema de trocas que a gente criou, baseado no dinheiro, é insustentável.

Sim, o dinheiro, a representação das nossas posses em moedas, notinhas, cheques e pixels no caixa automático. Sim, existem outros sistemas.

Quase tudo que eu pensava sobre ativismo veio abaixo em dois parágrafos do Rushkoff. Para ele, não existe outra solução que não a livre cooperação entre as pessoas mudando as coisas de baixo para cima (nada de ONGs, fundações milionárias nem marketing institucional). Dá para respirar quando ele explica que existem bons exemplos acontencendo agora no mundo.

Um dos momentos chave do livro é quando ele explica a competição segundo a Teoria dos Jogos dos John Nash (aquele do Uma Mente Brilhante). Nash e colegas quiseram mostrar a competição natural no ser humano usando as secretárias de um órgão público como exemplo. Começaram um joguinho com elas, sem avisá-las. Quando as secretárias começaram a cooperar entre si, ao invés de competir, Nash e companhia jogaram os dados fora e foram fazer outra experiência até provar a tal da competição natural. Ele ganhou um Nobel e sua teoria foi adotada por empresas, governos e instituições internacionais, dominando dos anos 60 para cá. O Sistema tem um bug anti-humano.

(Essa história, aliás, o Rushkoff meio que rouba de um documentário brilhante chamado The Trap, do Adam Curtis - que tem inclusive entrevistas do John Nash reconhecendo a cagada que cagou a ideologia mundial.)

Enfim, essas coisas têm zunido pela minha cabeça nas últimas semanas. Achei que estava na hora de colocar em algum lugar. Não que elas venham a parar de zunir, porque mesmo com algumas possibilidades de mudança, elas continuam a exceção da exceção. E eu ainda moro no Brasil. Como mudar de país (ainda), nem de planeta, não é opção, estou pensando seriamente em mudar de profissão.

P.S.: Tudo isso, claro, pode ser uma reação alérgica ao Sarneygate e ao Dado AlgumaCoisa ter ganho um milhão de reais.

Rooftop

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ROOFTOP #6

Meu primeiro texto ficcional? Deve ser. De qualquer forma, seja gentil, avalie como se fosse.

Rooftop é um projeto do Estúdio Alice. Eles fazem histórias sobre um prédio fictício publicadas na última página da Flash Vip, uma revista chapecolina. Me convidaram para escrever o sexto capítulo.

A ilustração e todo o projeto da página é do Rogério Puhl, ilustrador fodão local. O trabalho dele (o dele, pelo menos) ficou sensacional, né?

Departamento de Aquisições

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Duas traduções

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Umbigo Sem Fundo já está em pré-venda (e foi para a gráfica hoje, de acordo com meu editor). Como você que está lendo isso deve comprar entre 20 e 30 exemplares, ajudo a encontrar os mais baratos:

Livraria da Travessa: R$ 46,61
Siciliano: R$ 47,20
Siciliano: R$ 59,00
Livraria Cultura: R$ 59,00 (mas tenho confiança de que a Cultura vai baixar)

Olha a capinha de novo:

(Já falei que é baseada na capa holandesa? A americana é bem diferente.)

E hoje ainda descobri que outra tradução já foi lançada. Dessa vez não é quadrinhos, e sim um infanto-juvenil mezzo didático: China Antiga, do Stewart Ross. Olha a capa:

Esse eu deixo você comprar menos cópias. Dez tá bom. Uma para cada um dos seus filhos, sobrinhos e netos, para eles saberem quem é o povo que vai escravizá-los quando forem grandes.

Saraiva: R$ 26,00
Livraria Cultura: R$ 26,00
Livraria da Travessa: R$ 28,93
Siciliano: R$ 32,50

Agora vou voltar ali para o Scott Pilgrim...

Departamento de Aquisições

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Coisinhas um pouco mais velhas (completando coleção) e outras bem receentes.

Morrison: "Eu uso tudo"

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Eu escrevo todo dia, a maior parte do dia, então é tudo questão de transformar em metáfora o que quer que esteja acontecendo na minha vida, no mundo, na minha cabeça. Todo pesadelo, todo momento de dor ou alegria ou fracasso, é um momento que posso converter em grana através das palavras. Eu uso tudo. Transformar a vida em histórias é como faço minha experiência ter sentido. Não interessa se é estranho ou perturbador ou triste para a minha pessoa, tudo acaba indo para as páginas. Já estive perto do colapso nervoso, da exaustão e da crise existencial profunda fazendo essas coisas, e de algum jeito eu sempre me levanto de novo, cheio de novas idéias. "Curve-se, filho", minha mãe dizia quando eu era criança. "Curve-se para não quebrar!" Além disso, tenho um emprego que amo e não tenho problema em aceitar a pressão dos implacáveis prazos ou das expectativas dos leitores. São maus necessários. É provavelmente mais estressante trabalhar numa mina de carvão ou comandar homens em guerra."

Uma das melhores entrevistas do Grant Morrison que já li, onde ele não fala de projetos novos nem do significado de Final Crisis, mas do que significa ser um criativo fazendo histórias de super-heróis aos 50 anos de idade (30 deles no mesmo emprego).

O homem é um gênio.

Umbigo Sem Fundo

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Minha segunda tradução. Primeira vez que estou vendo a capa.

Em setembro nas livrarias.

É tão pesado (em páginas) quanto o Retalhos. Mas mais pesado (em vanguardismo) que o Retalhos.

umbigo.jpg

Taleb traduzido

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Ok, o texto que mencionei no post anterior realmente não saiu na edição brasileira do Iludidos pelo Acaso. Por isso, fiz minha própria tradução. Lá vai:

SEGUNDO PENSAMENTO NO CHUVEIRO: ALGUNS BENEFÍCIOS ADICIONAIS DO ACASO

Incerteza e Felicidade


Você já foi jantar em Nova York num dia de semana com um morador do subúrbio? É grande a chance de que a sombra do horário ficará pairando. Ele não para de olhar o relógio e apressa a refeição para não perder o trem das 7:08, porque depois desse não há mais trens expressos e restaria a ele pegar o das 7:42, com escalas, que parece algo extremamente indesejável. Ele vai cortar a conversa aí pelas 6:58, oferecer um rápido aperto de mãos e zarpar do restaurante para pegar seu trem com o máximo de eficiência. A conta fica por sua conta. Como a refeição não está terminada, e a conta ainda não chegou, suas boas maneiras lhe forçarão a dizer que paga tudo. Você também vai terminar a xícara de cappuccino descafeinado sozinho enquanto observa a cadeira vazia e se perguntar por que as pessoas se jogam nessas vidas por escolha.

Agora tire a tabela de horários da cabeça dele – ou randomize o horário de saídas de trem de forma que elas não obedeçam uma agenda fixa e conhecida. Dado que o aleatório e o desconhecido são, na prática, a mesma coisa, você não terá que pedir à Metropolitan Transit Authority de Nova York para randomizar seus trens para seu experimento: apenas finja que ele não sabe os horários de saída. Tudo que ele sabe é que eles operam a cada, digamos, trinta e cinco minutos. O que ele faria nessa situação? Embora você ainda vá pagar pelo jantar, ele deixaria a refeição seguir seu curso natural, e aí caminharia despreocupadamente até a estação mais próxima, onde teria que esperar o próximo trem chegar. A diferença de tempo entre as duas situações seria de pouco mais de um quarto de hora. Outra forma de ver o contraste entre o cronograma conhecido e o desconhecido seria comparar a condição dele a de outro colega que use o metrô para ir para casa, a uma distância equivalente, mas sem um quadro de horários conhecido e fixo. Gente que anda de metrô tem uma agenda mais livre, e não só por causa da maior freqüência de carros. A incerteza protege-os deles mesmos.

O capítulo 10 demonstrou, com o caso do macaco de Buridan, que o acaso nem sempre é mal-vindo. Aqui busco mostrar como certo grau de imprevisibilidade (ou desconhecimento) pode ser benéfico para nossa defeituosa espécie. Uma agenda levemente aleatória nos impede de otimizar e de ser excessivamente eficientes, particularmente para os fins errados. Esse pouquinho de incerteza pode ajudar seu colega a relaxar e esquecer a pressão do horário. Ele seria forçado a agir como um satisfizador ao invés de um maximizador (no Capítulo 11 discutimos a satisfização de Simon como uma mistura de satisfação e maximização) – pesquisas sobre felicidade mostram que aqueles que vivem sob pressão auto-imposta para serem perfeitos no seu aproveitamento das coisas sofrem de uma certa agonia.

A diferença entre satisfizadores e otimizadores levanta algumas questões. Sabemos que pessoas de disposição alegre tendem a ser do tipo satisfizador, com uma idéia marcada do que querem da vida e a capacidade de parar quando atingem a satisfação. Seus objetivos e desejos não andam junto a suas experiências. Eles não constumam sentir os efeitos do processamento interno por constantemente tentar aumentar seu consumo de bens buscando níveis de sofisticação cada vez maiores. Em outras palavras, eles não são nem avarentos nem insaciáveis. Um otimizador, em comparação, é o tipo de pessoa que vai arrancar suas raízes e mudar de residência pare reduzir poucos pontos percentuais nos seus impostos. (Você acha que o sentido de ter uma renda maior é a liberdade para escolher onde morar; na verdade parece que, para essas pessoas, a riqueza os faz aumentar sua dependência!) Ficar rico resulta em ver falhas nos bens e serviços que compra. O café podia ser mais quente. O cozinheiro não merece mais as três estrelas que o guia Michelin lhe deu (ele vai escrever para os editores). A mesa fica muito longe da janela. Pessoas promovidas para cargos importantes geralmente sofrem com agendas apertadas: tudo tem horário determinado. Quando viajam, tudo é “organizado” para fins de otimização, incluindo almoçar às 12:45 com o presidente da empresa (uma mesa não muito distante da janela), correr na esteira às 4:40 e ópera às 8:00.

Causalidade não é uma coisa clara: fica a dúvida se otimizadores são pessoas infelizes porque estão sempre buscando o melhor negócio ou se pessoas infelizes tendem a otimizar porque não têm opção. De qualquer forma, o acaso parece operar como uma cura ou como Novocaína!

Estou convencido de que não somos feitos para agendas certinhas e compartimentadas. Somos feitos para viver como bombeiros, com tempo para a preguiça e a meditação entre os chamados, sob a proteção da incerteza acolhedora. É uma pena que algumas pessoas sejam forçadas a virar otimizadoras, como a criança suburbana que conta os minutos de seu fim de semana entre o karatê, a aula de violão e a escola dominical. Enquanto escrevo estas linhas estou em um trem vagaroso pelos Alpes, confortavelmente distante de viajantes de negócios. As pessoas à minha volta ou são estudantes ou são aposentados, ou aqueles que não têm “compromissos importantes”, portanto sem medo do que os outros chamam de tempo perdido. Para ir de Munique a Milão, peguei o trem que leva sete horas e meia ao invés do avião, o que nenhum empresário que se respeite faria em um dia de semana, e estou aproveitando o ar sem a poluição das pessoas espremidas por seus horários.

Cheguei a essa conclusão quando, há mais ou menos uma década, parei de usar um despertador. Eu ainda acordava no mesmo horário, mas seguia meu relógio interno. Dez minutos de variabilidade na minha agenda fazem grande diferença. É claro que existem atividades que demandam certa dependência no despertador, mas tenho liberdade para escolher uma profissão onde não sou escravo das pressões exteriores. Vivendo assim, pode-se ir para a cama cedo e não otimizar a agenda espremendo cada minuto da noite. No limite, você pode decidir entre ser (relativamente) pobre, mas livre quanto aos seus horários, ou rico mas dependente como um escravo.

Levei um tempo para descobrir que não somos programados para agendas. A descoberta surgiu quando percebi a diferença entre escrever um artigo científico e escrever um livro. Livros são divertidos de escrever, artigos são dolorosos. Tendo a achar a atividade da escrita muito divertida, dado que a faço sem qualquer coação externa. Você escreve e pode parar de fazer, mesmo no meio de uma frase, no momento em que aquilo deixar de ser atraente. Após o sucesso do livro, fui convidado para escrever artigos por editores de uma série de revistas profissionais e acadêmicas. E aí me perguntavam quantas páginas eu precisava. O quê? Quantas páginas? Pela primeira vez na vida, perdi o prazer em escrever! Aí descobri uma regra pessoal: para que escrever seja agradável para mim, a extensão do texto deve ser imprevisível. Se estiver olhando para o final, ou se estiver sujeito à sombra de um esquema, desisto. Repito que nossos ancestrais não estavam sujeitos a esquemas, agendas ou prazos administrativos.

Outra forma de ver o aspecto bestial das agendas e das projeções rígidas é pensar em situações limite. Você gostaria de saber precisamente o dia da sua morte? Você gostaria de saber quem é o assassino antes do filme começar? Aliás, não seria melhor se a duração dos filmes fosse mantida em segredo?

Taleb

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Entre interrupções gigantes e falta de tempo, acho que passei uns dois meses lendo Fooled by Randomness, do Nassim Nicholas Taleb. Leitura sensacional, não só pelo tema, mas principalmente porque o Taleb escreve brilhantemente.

A versão que eu li, que é a da capa abaixo, é um pocket de 2007 da Penguin (muito barato na Cultura). No final do livro, tem três textinhos que ele chama de Afterthoughts in the Shower. O segundo, principalmente, é uma descrição perfeita (para não dizer utópica) do que eu quero do meu futuro.


Queria saber se esses textos saíram na versão em português, publicada em 2003. É com essa capa:

Se não tiver, vou ter que traduzir. Vai explicar muita coisa do que eu penso para muita gente.

Departamento de Aquisições

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Pro Omelete

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Legais:
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Semana Lá Fora: 21/05
Semana Lá Fora: 28/05
Semana Lá Fora: 04/06
Semana Lá Fora: 11/06


Dia-a-dia:
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Escritor Grant Morisson vai ganhar documentário sobre sua vida e obra
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Marvel vai lançar minissérie com seu universo reinventado por criadores indie
Confira preview de novas HQs de Aliens e Predador nos EUA
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Tira de Superman sairá em jornal dos EUA
Panini em junho

Departamento de Aquisições

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Retalhos

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retalhos4capa.jpg


Ainda não tenho meu exemplar em mãos, mas essa semana deve chegar. Já descobri que meu nome tá na quarta capa.

E anda muito bem falada. O Rafael Grampá se derreteu na MTV. A Folha de S. Paulo destacou hoje. E o Telio Navega, do Globo, entrevistou o Craig Thompson.

Já comprou seus 10 exemplares? Na prateleira da livraria fica assim:

retalhoslombada.jpg

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  • Raquel: Essa do problema do mundo ser as pessoas eu já read more
  • Jean: "I got my first job when I was 9. Worked read more
  • joaolucas: Muito bom Érico. Acabei de comprar o "retalhos", deve read more
  • Marcelo: Valeu, Érico! ;) read more
  • Jenifer Mendes: me empresta o "free" do Chris Anderson p ler depois read more
  • erico: Oi João, Certamente tem baixaria e coisas ruins no Pânico. read more
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