Breaking Bad

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(Sim, tem spoilers. Resumo sem spoilers: vai assistir Breaking Bad!)

"Assassinato não", diz o Walt numa cena. Ele é pai de família, já teve que quebrar seu código moral para virar fabricante de crystal meth, mas existem imperativos inultrapassáveis. "Não matar" ainda é um limite, ele repete nesse episódio.

A cena logo anterior mostra o Walt assistindo uma notícia cruel na TV, seguida de vários momentos de silêncio em que seu cérebro parece estar dando voltas. Corta, acontece isso:

(Não sei por quê, mas o vídeo está espelhado.)

Breaking Bad é um seriado sobre um professorzinho de química que vira fabricante de drogas para conseguir tirar ele e a família do aperto financeiro - que piora quando ele descobre um câncer no pulmão, apesar de nunca ter sido fumante. Não, não tem nada a ver com Weeds (o da viúva que vira traficante de maconha). É um conto dostoievskiano sobre limites morais, sobre até que ponto você pode ser justo num mundo injusto.

Tem gente que já viu genialidade desde o primeiro episódio (que ganhou prêmio do sindicato dos roteiristas, a WGA). Eu me vendi na segunda temporada. Quanto à terceira, cujo último episódio passa hoje, não existem roteiros melhores em toda a TV. Se a progressão continuar, no quarto ano vai ser o melhor seriado da história. Sério, já tá pau a pau com Sopranos.

(Não é um substituto de Lost, como alardeiam. Lost é pop, Breaking Bad é coisa séria.)

O sétimo episódio deste ano teve um final tarantinesco (não consigo achar em youtubes - aqui tem o episódio completo) que vende a série para qualquer um que ainda não tenha assistido. Não achei que pudesse ficar melhor. E aí veio esse cliffhanger. É direto, é brutal e absolutamente inesperado. E conta tudo só na expressão e no ato final do Walt (já disse que o ator, Bryan Cranston, ganhou dois Emmys consecutivos pelo papel?): existem imperativos maiores do que "não matar".

No fim do episódio, Walt diz "Corre". Corte seco, fim. Minha cabeça ainda não parou de correr.

Breaking Baaaaa

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The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Current Events - Taser-Armed Robots & Meth Sheep
www.colbertnation.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorFox News

Millar

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Nos EUA, Superman e Batman e tal, o povo que faz você seguir as leis, são os personagens mais famosos dos quadrinhos. Os americanos respeitam, acho, insígnias e respeitam uniformes. De certa forma, acho que isso é muito legal, mas pode ser perigoso também, claro, porque pode levar a abusos. Acho que aqui a gente foi talvez um pouco demais no sentido contrário. Temos uma tendência a suspeitar instantaneamente de autoridades. Não sei se é porque temos uns cem anos de distância de vocês com o nosso império e tal. Nosso império morreu há quase cem anos. Vocês tiveram todo o século XX, então talvez por isso ainda confiem nas figuras de autoridade um pouco mais do que nós. Já nós desconfiamos muito, porque vimos um império cair nas mãos deles. Em grande parte, a América ainda é uma história de sucesso, mesmo que esteja passando por um período difícil. Acho que os britânicos em geral são bem cautelosos em relação a gente de uniforme.

De uma entrevista no AV Club. Praticamente um resumão sobre o que é o quadrinho americano.

À venda

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Às vezes eu compro coisas por engano. Às vezes eu compro coisas duplicadas. Às vezes a loja manda coisas demais por engano. Às vezes mandam livros amassados, e eu peço novos.

Enfim, esses livros estão se juntando aqui e precisam de um destino. Vendo a preços interessantes (a negociar) a qualquer interessado, via depósito prévio no Banco do Brasil. Contatos nos comentários ou via e-mail. Só leve em conta que sou meio enrolado para ir ao Correio.

Scott Pilgrim v. 1

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Tá saindo HQ nova traduzida por mim, de novo pela Cia. das Letras. É Scott Pilgrim contra o Mundo, primeiro volume (de três) da saga que vai pro cinema.

Assim como minhas outras traduções, é, por coincidência, o melhor gibi do universo.



Começa a ser vendido esta semana. Custa:
R$ 28 na Livraria Cultura
R$ 27,65 na Livraria da Travessa
R$ 27 na Comix
R$ 26,20 na Fnac

Se você pedir três na Fnac - um para você, um para seu melhor amigo e outro para seu cachorro -, o frete sai grátis.

Scott Pilgrim é daquelas pelas quais tenho que agradecer todo dia por ter sido o tradutor. Só gostei mais tendo que ler com atenção.

E, se você ainda não viu eu dizer ali em cima, vai virar um filme que anda bem comentado, dirigido por um inglês brilhante chamado Edgar Wright (de Todo Mundo Quase Morto e Hot Fuzz). O cartaz é o mais magnífico da história dos cartazes:


Scott_Pilgrim_Poster.jpg

E se baseia no "frontispício" do volume 1, que também é brilhante:

scottpilgrimfronts.png

Departamento de Aquisições

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Aí nesse meio tem dois que eu traduzi e um que estou traduzindo.

Completei minhas coleções de Y: The Last Man, The Authority e Doom Patrol.

Battlestar Sabotage

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Meu novo vídeo mais preferido massa sensacional de todos os tempos. Pegaram o melhor videoclipe da história e conseguiram deixar tão bom quanto.

Claro, não tem efeito algum se você nunca viu Galactica.

Departamento de Aquisições

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Emília

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Oi Emília,

Chegou bem? Espero que esteja gostando. É meio diferente, mas a gente se acostuma.

Precisamos conversar.

Quando eu conheci o Ricardo, ele tinha uma câmera fotográfica digital. Eu nem sabia que existiam câmeras fotográficas digitais, ou nunca tinha visto uma. Acho que cabiam 12 fotos e meia do tamanho de uma unha. Mas, enfim, o Ricardo tinha uma câmera digital. E, se não me engano, um mp3 player que armazenava três músicas.

Quando eu conheci a Raquel, ela usava óculos de nerd. Era mais velha que nós, já fazia faculdade. Duas faculdades, aliás. Ela tinha óculos de nerd, pose curvada de nerd, timidez de nerd e todas as páginas de livros do mundo na cabeça. Se tu mencionava um livro que ela não tinha lido, no dia seguinte ela vinha dizer que leu. E que não gostou.

Não sei se eu estava lá no dia em que eles se viram pela primeira vez, mas estava nos primeiros. E também no dia em que eles resolveram aparecer de mãos dadas, depois de uns meses de enrolação (a culpa foi do Ricardo). Pelas minhas contas, faz 13 anos agora em maio. Nunca mais se soltaram, e nunca mais se soltarão.

Minto. Teve um dia que a Raquel conversou comigo pra dizer que o Ricardo tinha saído da casa dela com muitas dúvidas na cabeça e que ela nunca tinha visto ele assim. Acho que passaram quase 12 horas sem trocar e-mails, SMS, nem chats, nem se ver. Eles estão no Guinness com o recorde de número mínimo de horas de crise conjugal. Se não estão, deviam chamar um auditor.

Outra vez foram os dois que me ligaram juntos para perguntar se eu ia me ajeitar com a Marcela e parar de frescura. Eles precisavam, afinal, de padrinhos confiáveis e duráveis. Prometi que ia me comportar. Dois anos depois, eles também foram nossos padrinhos.

Hoje meus alunos apresentam trabalhos citando a Raquel, sem eu nem ter sugerido o (primeiro) livro dela. Me seguro pra dizer que conheci a Raquel com óculos de nerd (geralmente digo). O Ricardo é o homem que eu mais invejo no mundo: a única preocupação que a vida lhe traz é descobrir o seriado de comédia perfeito. Não vejo ele suar com trabalho, contas, casa, pesquisa, nem mais nada.

E hoje, Emília, tudo isso virou Antes. Tudo isso foi para você, com exatamente trinta anos e um mês a mais que eu, aparecer. Hoje teve novos bombardeios no Afeganistão, a bolsa de Nova York abriu em baixa, estreou filme novo do Scorsese. Eu baixei um episódio do Skins de manhã e continuei a revisar uma tradução. Depois do almoço, fiquei numa coisa chamada Plurk com mais umas 20 pessoas, todas esperando notícias suas. Teu vô (que foi meu professor, aliás – um dia ele me explicou para que serve fotografia e eu nunca mais esqueci) acabou de mandar as fotos. Depois disso, não me concentrei em mais nada.

Esses dias li uma mensagem que um escritor recebeu pelo nascimento do filho. Às vezes acho que entendo, às vezes acho que não. Provavelmente só vou entender quando passar pela mesma coisa. De qualquer forma, é bonita. E simples:

Tudo é possível de novo.

Bem-vinda. Avisa quando tiver e-mail (o teu mesmo, não o que o Ricardo vai inventar) que eu conto mais do Antes.

Gaiman

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"Eu sou péssimo em crenças, mas sou bom em crer em alguma coisa quando necessário", ele disse. "O que, no meu caso, tende a ser quando estou escrevendo sobre essa coisa." Se não fosse um escritor, diz, gostaria de projetar religiões. "Eu teria uma lojinha, as pessoas me ligariam ou viriam até ela e diriam 'gostaria de um religião'", ele explica. "E eu diria: 'Legal, ok. Qual é sua posição quanto a culpa, e como você vai financiá-la? E você gostaria de ver o universo como uma espécie de grande órgão beneficente? Ou gostaria de algo mais complexo?' E elas diriam: 'Ah, gostaríamos de um Deus bem ligado em culpa'. E eu: 'Ok, que tal quarta-feira como dia sagrado?'"

Sinal de que o perfil é bem feito é quando o Alan Moore é só um entrevistado acessório. O perfil do Neil Gaiman na New Yorker, nesse sentido, é perfeito. Conta toda a carreira do autor, tem um distanciamento crítico que não cai no cinismo e ainda entra em assuntos que o Gaiman sempre tenta evitar, como o divórcio (sua esposa mora no mesmo terreno que ele) e o fato de ter crescido numa família cientologista (o quote acima vem depois dessa revelação; Gaiman é um judeu-cientologista não-praticante).

Tem até momento em que Gaiman, o mais cortês dos ingleses, vira a cara para um fã (em relação direta com o esquema da Cientologia). Isso sim é uma grande revelação.

Departamento de Aquisições

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Inclui minha supermegacompra "black friday", onde completei minhas coleções de Invisibles e Swamp Thing. Por alguma bobeira, não peguei todas de Doom Patrol, Scalped e Y: The Last Man, então fiz mais uma black friday de janeiro. Fechando essas, agora é praticamente só comprar o que sai de novo.

Comendo Bichos / Bichos que Comem

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Gostei e não gostei de Eating Animals. Não gostei do que o Jonathan Safran Foer tentou me convencer, não gostei dos recursos de argumentação emocionais que ele usa para tentar convencer e não gostei principalmente de ter que esperar quatro anos por um livro dele e receber uma não-ficção aventurosa defensora dos bichinhos. (Gostei de uma coisa, que deixo para o final.) Mas não gostei, imagino, porque não sou público-alvo.

Em primeiro lugar, porque já sou vegetariano. Não como nenhum tipo de carne há quase 16 anos. Só não sou vegan porque não existe estrutura de serviços para vegans onde moro. Foi uma decisão de adolescente, talvez para encontrar identidade, mas que se baseia no simples fato de eu acreditar que carne não é necessária (e existe base científica para isso).

Foer diz algumas vezes que não quer convencer o leitor a virar vegetariano (ou vegan). Mas dá a entender que comer carne sustenta um círculo vicioso de crueldade com animais, experimentação genética de resultados imprevisíveis, epidemias de zoonoses (como a gripe aviária ou a gripe suína). E que, se a carne para alimentação do mundo fosse produzida da maneira correta, não haveria comida para todo mundo. Ou, no mínimo, seria muito cara - o ritmo de produção cruel das factory farms, de galinhas esmagados, perus sem estrutura óssea para caminhar e vacas esfoladas, é o que fez a carne ser uma das poucas coisas que baixou de preço nas últimas décadas.

Em segundo lugar, Eating Animals é dirigido aos norte-americanos, falando das fazendas de lá, dos hábitos de consumo de lá e da estrutura capitalista de excessos de lá. Não tenho ideia se os açougues brasileiros vendem carne produzida de forma melhor ou pior. Nem como é o resto do mundo (sei, bem por alto, que carne vermelha é bem cara na Inglaterra). Foer vê consequências planetárias na forma de produção e consumo de carne nos EUA, o que é compreensível. É o mesmo caso do aquecimento global: os excessos no uso de recursos não-renováveis são abismantes no primeiro mundo, se comparados ao que a maior parte do planeta consome – mas afetam o planeta inteiro.

O que me incomoda mesmo é a argumentação em cima do sofrimento dos animais. Foer descreve aquelas cenas de documentários do PETA, sangrentos, que circulam a internet, acontencedo diariamente nos grandes abatedouros dos EUA. De novo, não sou público-alvo: isso não me sensibiliza e não muda minha maneira de pensar. O texto enumera todos os argumentos e dados científicos para dizer que bichos sentem dor quase ou exatamente como seres humanos. Mas faltou um pouco mais para me convencer a virar defensor da causa.

Do que eu gostei: o argumento mais positivo e bem empregado que vejo no livro é um que ele já usa desde o início - a preocupação com o que você vai dar para seus filhos comerem. Do ponto de vista moral, lógico e evolutivo, é incontestável, não há pergunta mais séria que se possa fazer. E nisso Foer defende e educação vegan que está dando ao filho, com base em comprovação científica de que crianças (e até atletas) podem viver de dietas vegan.

A Natalie Portman pode ter virado ativista vegan depois de ler. Eu ainda tenho minhas dúvidas. Existe um círculo vicioso em torno da produção e consumo de carne, sim, mas ainda não tenho argumento forte para tentar convencer meus amigos a parar de comer bichos mortos.

P.S.: Só no fim do livro fui notar que o título tem duplo sentido.

2009 (2)

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Meu ano e o da Marcela começou na Plaça de Catalunya, com espumante em copos plásticos porque a polícia cercou todas as entradas e ninguém podia passar com garrafas (isso é a Europa). Chegou a meia noite, as pessoas fizeram barulhos felizes, mandamos SMS para nossas famílias dizendo que tínhamos chegado em 2009 antes e ninguém soltou fogos. Todos os ninguéns foram para casa e a gente voltou ao hotel para subir os quatro lances de escadas com degraus estreitos (isso é a Europa).

Um dia a gente resolveu que nunca ia conseguir comprar apartamento com os preços chapecolinos, vimos um legal para alugar e, na noite antes do caminhão de mudança, começamos a encaixotar as coisas, porque não sobrou tempo durante a semana (já chego na parte “tempo”). O ap novo é no centro do centro da cidade, fica a 3 quadras do trabalho da Marcela, eu só pego o carro para ir ao trabalho (que ainda é longe), e ganhei um escritório só para mim. O resto da casa é dela. Fiz a estante dos sonhos, com os autores em ordem alfabética.

De novo, comprei mais livros do que consegui ler. BEM mais. ABSURDAMENTE mais. Ainda lembro da época em que eu relia os gibis dez vezes (simplesmente porque não havia outros para comprar). Várias vezes durante o ano tentei cumprir um regime de leitura – começo três livros ao mesmo tempo, um capítulo de cada por dia -, mas sempre aparecia algo para atrapalhar. A quantidade de trabalho cresceu na mesma escala do departamento de aquisições. O lado bom é que teve muito trabalho legal.

Cheguei para a atendente de sempre na Livraria Cultura de Porto Alegre e brinquei que ela devia procurar meu nome no catálogo. “Escreveu um livro, Érico?”. “Ahm... não, ainda não.”. Mas está lá – como tradutor. Em duas graphic novels muito boas (que, felizmente, estão vendendo e sendo comentadas muito bem) e em dois livros para crianças. Milhões de agradecimentos ao André, meu editor na Companhia das Letras, que me entregou os trabalhos após anos de encheção de saco e ainda cobre toda e qualquer imperfeição que eu deixe nos textos. Graças a ele, se eu for mau tradutor, ninguém vai descobrir. Mas só vou chamar isso de carreira quando recusar um trabalho.

Fiz orientação de carreira. Mais para organizar meus horários. Dicas valiosas, que ainda não consegui colocar totalmente em prática. Tive algumas crises existenciais relacionadas a trabalho, porque de um lado (tudo que faço em casa) eu gosto muito do que faço e recebo massagens no ego constantes (descoberta massagística do ano: o Twitter) e do outro (tudo que tenho que sair de casa para fazer) gosto cada vez menos mas tenho o salário indispensável. Aliás, de tanto ficar em casa estou meio agorafóbico. Ou meio Larry David, não sei.

(Twitter: você pergunta uma coisa para o Neil Gaiman e ele te responde. Duas vezes.)

Mesmo tendo conhecido (rapidamente) o Primeiro Mundo e entendido, por oposição, o que é “jeitinho”, ando meio descrente na humanidade. Já mencionei no post abaixo o livro de terror, que ainda me dá calafrios. Tive uns probleminhas com amigos no final do ano que elevaram essa descrença, fora outras leituras, documentários, conversas etc. Estou fora de sincronia com todo mundo, mais do que já era, preocupado por finalmente entender o que quer dizer “sociedade inimiga de si mesmo“. Estado de preocupação atual: o problema do mundo é ter gente.

Vou assumir um emprego que encaro como teste definitivo da possibilidade de viver em sociedade. Medo de chegar à insanidade antes de completar seis meses. Não, três. Este ano foram nove disciplinas de novo. Em pelo menos três me senti inútil. O ambiente não tem ajudado em nada. Mas assim mesmo, por pressão, vou pra esse cargo aqui. É o teste.

Mais gordo do que nunca, acho. Do tamanho do David Brent, por aí.

Voltei a fazer francês. Fui na Shakespeare & Co. e deixei um livro, ao invés de comprar um (tá, também comprei um). Fui no Festival Internacional de Quadrinhos e descobri mais gente que sabe o que é o Omelete do que eu imaginava que existia (algumas inclusive gostam, e sabem me diferenciar do Érico Borgo). Publiquei um texto num gibi, publiquei um texto ficcional, publiquei um texto numa revista e escrevi um texto bem longo, revisado dezessete vezes após terminar, para outra revista sobre o qual estou me segurando para não contar para todo mundo (e que a tal revista talvez tire da geladeira em breve).

Queria ter ficado em Amsterdam. Podia ter ficado em Paris. Londres eu queria visitar mais vezes. Bruxelas é sensacional, Munique mais. Mas Amsterdam – não fumo nem cheiro nada, não é isso – tinha alguma coisa dizendo “more aqui”. Tem também os vários sinais que me apontam para a Islândia (um teste online que me mandou morar lá, notícias do país que caem na minha frente, traduzir gibis que se passam lá, a paixão pelo Sigur Rós), que ainda não conheci. O objetivo, porém, é passar o fim de 2010 em outro lugar, que não vou contar aqui para não parecer promessa.

Resumindo: olá, crise dos trinta.

2009 (1)

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Aquela cena do Deixe Ela Entrar que justifica o nome do filme, quando a menina entra na casa do menino sem permissão. E o filme inteiro. Tem alguma coisa na história que faz eu acreditar que existe muito mais na natureza humana do que eu compreendo, e do que talvez algum dia vá compreender. E está lá, inatingível, mas existe.

* * *

A (que já comentei na minha resenha) do Away We Go: do clube noturno em Montreal. "Oh Sweet Nuthin'", Velvet Underground. "THIS Thursday?". Fico imaginando se aquele diálogo - "You just watch these babies grow and then fade" - não assusta toda a minha geração. Pelo menos em mim meteu medo.

(No roteiro original, Eggers e Vida sugerem que a música seja "Don't Worry Baby", do Beach Boys. Acho que "Oh Sweeth Nuthin'" ficou melhor.)

* * *

A junkie no Breaking Bad soltando a geladeira na cabeça do marido. Os olhos do menino no mesmo episódio, "Peekaboo". Os flashforwards de toda a segunda temporada - que, infelizmente, levaram a um fim não tão bombástico, mas apropriado considerando os caminhos da história. Baita série.

* * *

Ler A Cabeça do Brasileiro, me dar conta de que é assim e não vai mudar. Maior livro de terror já escrito. Descrença na humanidade em nível quase insuportável.

* * *

Ron fucking Swanson, no Parks and Recreation.

Sobre a ex-mulher: "I honestly believe that she was programmed by someone in the future to come back and destroy all happiness".

Sobre relações com empregados: “I would prefer that she ask me for my permission so I could say no. I like saying no. It lowers their enthusiasm.”

Sobre a ex-mulher, de novo: "Every time she laughs, an angel dies."

* * *

Esta página do What Is the What:

* * *

As três últimas páginas de Alan's War: The Memories of G.I. Alan Cope. Não sei quantos minutos fiquei olhando para a última, relendo a frase, nem quantos dias depois ela continuou na minha cabeça. Está até hoje, aliás.

* * *

Pinocchio, do Winshluss, e a vontade de passar horas examinando os detalhes de cada página. E a forma como a história vai e volta e vai. Logo no início, a cena em que o velho chuta o cachorro - toda a tristeza do mundo em dois ou três quadrinhos.

* * *

Up, os primeiros quinze minutos (eu chorei). O trailer de Onde Vivem os Monstros. Toda a sequência final do Bastardos Inglórios. "The Great Skua", do British Sea Power. O álbum inteiro de Jonsi & Alex. The Hives abrindo o show em Porto Alegre com "Hey Little World", e todas as vezes que reouvi a música. Freddie Mercury Prateado e Amaury Dumbo. Three Shadows, do Cyril Pedrosa. O Joaquin Phoenix, no final do Two Lovers, sentindo o peso do mundo mas voltando para casa para aceitar o mundo como é. O choro - seja sincero ou não, mas pareceu tão sincero quanto dolorido - do amigo do trapezista, no Man on Wire.

* * *

E, pra terminar, quase esqueci de você:

Departamento de Aquisições

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A maioria é de coisas que as editoras mandam, já que no mês passado a Amazon me deixou na mão.

Ames

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Você tem seu próprio processo para escrever? Não, é o processo para escrever normal. Medo, mais café, mais prazos.

Como era seu processo antes de ter prazos?
Medo, mais café. E dormir. Deitar-se após qualquer mínimo esforço.

Jonathan Ames entrevistado no 99%, site sensacional que a Marcela achou pra mim.

Aliás, estou reassistindo Bored to Death, do Ames, desde o começo. Agora entendi a lógica: no geral, não há nada de empolgante, mas se você entender que o clima é ficar pulando de frase genial para frase genial, como pedrinhas no lago, o seriado é perfeito.

Esquerda x Direita

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Quando achei isso aqui no Boing Boing, descobri que era tudo que eu precisava para minhas aulas no Jornalismo sobre esquerda e direita. Como não tenho tempo nem idade para brigar com o Photoshop, fui atrás de alguém disposto a inserir minha tradução no gráfico. O Fabio Zelenski se ofereceu no Twitter e pronto, temos uma tradução colaborativa:

(Clique para ampliar)


O trabalho original é de David McCandless e Stefanie Posavec.

A tradução foi só para fins educacionais, ok? Os autores me autorizaram por e-mail.

Espártaco

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Saiu outra tradução minha. Dessa vez, não é quadrinhos, e sim um livro para crianças sobre Espártaco, o gladiador.

Chama-se Espártaco e Seus Gloriosos Gladiadores.

É fino humor inglês, mesmo que para crianças.

Agradecimentos ao Marcelo Andreani de Almeida, que colaborou comigo na tradução.

O livro custa R$ 29,90, mas aqui tem por R$ 23,31.

Pânico!

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O desrespeito "moleque" do "Pânico" é um traço comum aos humorísticos. Não dá para pensar em um formato como esse que seja edificante, pois zomba de tudo e de todos. Ao fazerem uso do escracho, do jeito zombeteiro e sem cerimônias, mostram a baixaria, o ridículo que há nos outros.

Eugênio Bucci, na Folha.

Pânico na TV é a única coisa que ainda assisto com hora marcada. Freddy Mercury Prateado é meu senhor e nada me faltará.

Departamento de Aquisições

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Departamento de Aquisições

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Publique-se

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Saiu um texto meu na MyPix. É uma seção que eles chamam de "Rodízio de Ideias". O último a escrever na seção convida o próximo autor. A Gisele (antes da fama, ela foi minha colega no segundo grau) me convidou e é óbvio que eu topei.

O texto já está lá há alguns dias, então tomo a liberdade de publicar aqui a versão original, maior, que teve que ser cortada para caber na revista.



PUBLIQUE-SE.

Acho incrível que, em tempos de web 2.0 (ou 3.0, ou 4.0, 17.62, não interessa), ainda existe gente enrolando para mostrar aquilo que cria. Conheço gente demais que escreve muito bem, que desenha muito bem, que fotografa maravilhosamente, que pinta, que compõe, que filosofa, que borda, enfim, que cria coisas fantásticas – e que não mostra isso para o mundo.

Abrir uma conta no Flickr E no DeviantArt E no YouTube vai lhe tomar cinco minutos. Criar um blog leva uns 100 toques no teclado – menos que uma twittada. Aliás, twittar o link do que você publicou toma o tempo de um controlcê-controlvê. E pronto. Você vira uma pessoa-mídia com uma audiência do tamanho da qualidade do que fez.

Essa é a grande maravilha da Internet: todo mundo tem acesso a tudo, mas você só alcança todo mundo (ou um nicho interessante) se tiver algo legal para mostrar. E essa regra vale tanto para o supermegaconglomeradoglobal de comunicação quanto para você e seu Lentium. Quem tiver a Ideia vai atrair o Público.

Boa notícia: ferramentas de publicação são cada vez mais fáceis. É o fundamento, aliás, da tal web 2.0. Só faltam as Ideias. Se você é um ser humano, tem pelo menos uma boa Ideia por ano. Escreva-a, fotografe-a, pinte-a, grave-a etc. E blogue-a.

Falta tempo? Por que você está sempre trabalhando e tem que pagar as contas e as prestações e oh o mundo capitalista é cruel? Primeiro: trabalhar para os outros sem viver para você, por melhor que seja o salário, não compensa. Segundo: pense a longo prazo – seja lido/ouvido/visto agora para criar e manter contatos para o futuro. Terceiro: nesse momento, seu chefe e/ou seu cliente estão acessando o site do cara que vai ser contratado no seu lugar.

Preguiça? Oras, vá dar um exercício pros dedos gordos. Dói menos que abdominal.

Excesso de autocrítica? Se você escreveu uma poesia, tirou uma foto, fez uma ilustração etc. e só quer esconder na gaveta, sua autocrítica é garantia de que vale a pena mostrar. Gente demais joga qualquer coisa na Internet sem qualquer julgamento. Se você tem um pingo disso, já é dos bons.

No fim das contas, há duas vantagens: a pessoal, que é de você dizer “fui eu que fiz” e vez por outra receber massagens no ego; e a social, que é de você colaborar com suas Ideias para impulsionar outras Ideias que tornem o mundo mais legal.

Já tive vários dias que mudaram de rumo por causa de um texto, de um vídeo, de um desenho. Já aconteceu com você também. Mexer com a cabeça de uma pessoa é tão importante quanto aqueles livros e filosofias que mudam o mundo – todos começaram por uma cabeça. Que seja pelas suas Ideias – desde que publicadas.

Bell

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"Eu não gosto de sair para lugar nenhum. Eu queria encontrar um lugar bonito e ficar lá. Se eu quiser ir a algum lugar, uso minha imaginação ou a internet."Gabrielle Bell agora tem um blog.

Stewart

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MAUREEN DOWD: Um programa de notícias fake, o "Daily Show", gerou um comentarista fake, Colbert, que inventa sua própria realidade fake defendendo a realidade fake de um presidente real, e recebe representantes do governo que sabem da piada mas ainda topam ser ridicularizadas por alguém fake. Seus programas são como espelhos dentro de espelhos, um ciclo fake para alcançar verdade. Vocês tocam uma questão social, a de que nada mais, dos reality shows ao Bushworld, é real. Vocês nunca ficam confusos com essa sala de espelhos?

JOHN STEWART: Não me avisaram que a gente teria que estar chapado para essa entrevista.

Daqui.

Departamento de Aquisições

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Peguei uma promoção do Asterix no Submarino (ainda está lá) e comecei uma coleção. Asterix é uma coisa para a qual nunca dei muita atenção, mas tenho que deixar meus preconceitos de lado.

Fora isso, tem umas coisinhas enviadas por assessoria e comprinhas normais do mês. Aguardando o Absolute V for Vendetta...

Tudo a ver

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